Framing Britney Spears | O papel da mídia na retirada de liberdade de uma mulher.

Este ano, The New York Times tomaram coragem e vincularam um documentário contando como a mídia conseguiu privar de liberdade a Princesa do Pop Britney Spears e decidimos ver o que eles tinham a dizer.

Fama e dinheiro, muitas vezes, parece ser uma solução possível para todos os problemas que uma família pobre do interior dos Estados Unidos pode ter. Com um pai ausente e poucas chances de estudar, a fama e o dinheiro pareciam a melhor alternativa para uma Britney Spears de apenas dez anos. E a trajetória de talento prodígio para princesa do Pop, e de uma inocente virginal para o foco principal dos Paparazzi, e toda a sua luta contra a tutela de seu pai, é contada no documentário curado pelo The New York Times, ‘Framing Britney Spears’.

O documentário, disponível com exclusividade no Globoplay aqui no Brasil, tem feito muito barulho na cultura POP internacional, uma vez que comprova, com vídeos, fotos e fatos, algo que o ‘Brit-armys’ já sabiam há muito tempo: A mídia foi a principal responsável pela instabilidade mental de Britney, e agora, devem tomar seu papel na luta contra a tutela sustentada por Jamie Spears, o pai da cantora, que alega que ela não possui sanidade para ser independente social (em questão de uso das redes sociais, relacionamentos, etc), profissional (quais tipos de trabalho ela deve fazer ou deixar de fazer) e financeiramente (controle total de seus 600 milhões de dólares).

Ao assistir, vemos como, desde o início da carreira, era a inocência-perversa de Britney que atraía o público. Ela cantava sobre sofrer por amor, sobre suas primeiras experiências, e sobre a transição entre menina e mulher que toda moça passa. Britney, desde seu debut, representava muito mais do que apenas um sex symbol, por mais que a mídia insistisse que ela fosse isso: Uma loira burra e sexy. Fizeram de tudo para destruir o seu charme infantil, colocando toda sua inocência como falsa, desvalidando todas as suas experiências, o que importava realmente era se ela dançasse sensualmente.

O relacionamento dela com Justin Timberlake também foi uma peça-chave para a desconstrução dessa imagem. No documentário, fica claro o quanto JT fez uso de Britney para alavancar sua carreira pós-N’Sync, algo que os fãs da cantora sempre suspeitaram: Desde acusá-la de traição até dizer em rede nacional que haviam feito sexo, quando ela afirmava ser virgem. O cantor até pediu desculpas por ter contribuído para o sistema misógino e pelo que Britney sofreu em carta aberta a ela e à Janet Jackson.

O polêmico ano de 2007 também é abordado, porém, com um ponto de vista interessante: Quem narra sobre o assédio que Britney sofreu são os próprios assediadores. Eles disseram detalhes sobre como eram pagos centenas de milhares de dólares por bons cliques e cliques que, à cada flash, destruíam a imagem pública de Britney e sua sanidade mental, até chegar em um ponto irreversível.

No ano seguinte, a guarda legal da tutela de Britney é dada ao seu pai, que, durante toda sua infância foi ausente. Em um momento, a antiga empresária de Britney diz: “A única coisa que ouvi de Jamie quando ela estava crescendo foi: “Um dia, minha filha terá muito dinheiro e me comprará um barco”, e isso diz muito sobre ele.” Hoje, especula-se que seu pai e sua empresária atual, Lou Taylor, haviam desviado mais de 300 milhões de dólares para contas no exterior. O que motivou a loira a aceitar de boa vontade dar a tutela ao seu pai foi acordo de que, assim, poderia ver seus filhos.

Desde o final de sua residência em Vegas, quando Britney pediu a retirada da tutela, os fãs tem notado um comportamento estranho da cantora em suas redes sociais; Ela estava cansada, e não iria mais trabalhar se não pudesse colher os frutos de seu próprio sucesso, o que é seu direito. A hashtag #FreeBritney, impulsionada por fãs, foi o que trouxe esse documentário a vida, além de ser uma prova que Britney é, e sempre será, muito amada por sua legião de fãs, que se identificaram com os dramas de uma menina-mulher e se apaixonaram pela pessoa que ela é.

Não poderíamos terminar esse texto, sem dizer que apoiamos a liberdade dessa mulher incrível que mudou a música pop e a cultura de uma geração inteira. Além de enaltecer a curadoria do The New York Times, por, finalmente, reconhecer sua culpa na perda de Britney e tentar usar seu poder de influência para reverter a situação.

E aí? Já assistiram o documentário? Contem para gente o que achou e até a próxima

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.

Acima ↑

Crie seu site com o WordPress.com
Comece agora
%d blogueiros gostam disto: